terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Porta Trancada

Quando eu não quero
Enfrentar a minha realidade,  
Mesmo o Sol brilhando lá fora,
Eu tranco minha porta,
Visto minha armadura,
Coloco a venda em meus olhos.
Me alieno, perdida nas cores
Do meu mais perfeito Simulacro.

Me tranco dentro de mim mesma,
Escrevo meus monstros e meus sonhos,
Canto para meu espelho,
Converso com minha sombra,
Desenho uma maneira de expulsar meu medo.

Alguém bate à minha porta trancada...
Um sorriso expontâneo surge em meus lábios
Logo abscindido pela rebeldia doída,
Displicente da causa.

"- Por que abrir a porta
Se os teus sapatos sujos
Macularão o meu carpete?

- Estenda sua mão para mim...
Eu quero segurar e acreditar
Que o para sempre existe."

A noite cai iluminando meus devaneios,
Acordando meus desejos
Como a besta que se curva à luz da Lua
Prateando o semblante solitário.

O deleite viciante
Acompanha as minhas horas prateadas
Até o céu se pintar de laranja
Na aurora tão temida.

A dor da realidade desfaz minha ilusão.
Sapatos sujos pisaram no meu coração
E deixam meu carpete marcado de paixão...

"- Fica...
Eu quero acreditar
Que o para sempre
Habita em minha realidade desbotada."

As lágrimas pesam
Caindo em lamentos e prantos.

Me tranco dentro de mim mesma.
Escrevo meus monstros e expurgo meus sonhos.
Canto para minha sombra.
Converso com meu espelho.
Rabisco uma maneira de expulsar meu medo
Daquele semblante prateado ao espelho.

Maira Macri

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