O que é Surrealismo Literário? | Poema Onírico & Desorientação Emocional


Antes de compartilhar esse poema, gostaria de explicar o que é Surrealismo Literário.

Depois que comecei a estudar escrita e literatura, descobri que alguns textos meus se encaixam nessa classificação. E fiquei surpresa e felicíssima!

Pois bem, o Surrealismo Literário é um estilo de escrita que rompe com a lógica convencional e mergulha no universo do inconsciente, dos sonhos e do irracional.

Inspirado pelo movimento artístico e literário do Surrealismo, iniciado nos anos 1920 por André Breton, esse estilo busca explorar o absurdo, o fantástico e o inesperado, criando narrativas que desafiam a realidade objetiva.

💡 Mas quem foi André Breton?
Foi o principal arquiteto do surrealismo, moldando sua estética, filosofia e impacto cultural. Ele definiu o surrealismo como "automatismo psíquico puro", um método para expressar o funcionamento real do pensamento, livre de controle da razão e convenções estéticas, explorando o inconsciente, os sonhos e a liberdade criativa. Além disso, foi o principal articulador e líder do surrealismo, declaradamente influenciado pelas teorias de Sigmund Freud, incentivando a exploração do inconsciente como fonte de inspiração artística, defendendo técnicas como a escrita automática e a livre associação de ideias para acessar o mundo dos sonhos e desejos reprimidos. Expandiu para outras áreas além da literatura, como o cinema, a fotografia e o teatro.
Pra finalizar, Andre Breton acreditava, de verdade, que o surrealismo poderia transformar a sociedade e libertar o indivíduo das amarras da razão. 

Voltando ao tópico anterior, textos surrealistas costumam ter uma estrutura fragmentada, imagens simbólicas e uma lógica fluida, quase onírica, desorientada. Personagens podem se transformar, o tempo pode ser distorcido, e eventos sem explicação podem coexistir de forma natural. A ideia é libertar a imaginação e dar voz ao que há de mais profundo na mente humana, sem filtros da razão.

Segue poema narrativo surrealista literário (ufa!)

PORTA TRANCADA.

Quando eu não quero
Enfrentar a minha realidade,
Mesmo o Sol brilhando lá fora,
Eu tranco minha porta,
Visto minha armadura,
Coloco a venda em meus olhos.
Me alieno, perdida nas cores
Do meu mais perfeito Simulacro.

Me tranco dentro de mim mesma,
Escrevo meus monstros e meus sonhos,
Canto para meu espelho,
Converso com minha sombra,
Desenho uma maneira de expulsar meu medo.

Alguém bate à minha porta trancada...
Um sorriso expontâneo surge em meus lábios
Logo abscindido pela rebeldia doída,
Displicente da causa.

"- Por que abrir a porta
Se os teus sapatos sujos
Macularão o meu carpete?

- Estenda sua mão para mim...
Eu quero segurar e acreditar
Que o para sempre existe."


A noite cai iluminando meus devaneios,
Acordando meus desejos
Como a besta que se curva à luz da Lua
Prateando o semblante solitário.

O deleite viciante
Acompanha as minhas horas prateadas
Até o céu se pintar de laranja
Na aurora tão temida.

A dor da realidade desfaz minha ilusão.
Sapatos sujos pisaram no meu coração
E deixam meu carpete marcado de paixão...

"- Fica...
Eu quero acreditar
Que o para sempre
Habita em minha realidade desbotada."


As lágrimas pesam
Caindo em lamentos e prantos.

Assim...
Me tranco dentro de mim mesma.
Escrevo meus monstros e expurgo meus sonhos.
Canto para minha sombra.
Converso com meu espelho.
Rabisco uma maneira de expulsar meu medo
Daquele semblante prateado ao espelho.

Maira Macri
2011

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